*MÁRCIA DE CARVALHO (Especializanda do curso Educação para a Diversidade e Cidadania na UFG. Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela UNEMAT)
Todos nos já ouvimos noticias, reportagem que demonstram discriminação e preconceito em relação à mulher. No ambiente de trabalho, nas ruas, e até mesmo dentro de nossa própria casa presenciamos constantemente cenas onde a mulher é menosprezada em detrimento do homem.
Recordando que: a Declaração Universal da UNESCO Sobre a Diversidade Cultural tem como principio a “identidade, diversidade e pluralismo, diversidade cultural e direitos humanos, diversidade cultural e criatividade, e diversidade cultural e solidariedade internacional.”
E considerando que o DECRETO Nº 6.387, 05/03/2008 - II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres - II PNPM consta em seu anexo publicado no DOU de 06.03.2008 objetivos que visam “Autonomia econômica e igualdade no mundo do trabalho, com inclusão social. E Educação inclusiva, não-sexista, não-racista, não-homofóbica e não-lesbofóbica.” (Capitulo 1 e 2) analisaremos o texto Preconceitos Contra Mulheres Nascem Dentro De Casa (Washington Araújo, 2005).
Preconceitos contra mulheres nascem dentro de casa
“A luta pelos direitos da mulher não pode nem deve parar. Há muito que se fazer para que homens e mulheres sejam tratados com justiça, mais que com igualdade. Nunca foi tão necessária uma nova forma de educar os filhos como hoje. O preconceito contra as mulheres nasce muitas vezes dentro de casa. E cresce junto com nossos filhos. Quando percebemos, parece ser tarde demais. Descobrimos com tristeza que criamos um filho machista e uma filha submissa. É por isso que todos os dias devem ser dias de dedicação internacional à mulher. Não podemos esquecer que elas são vítimas – na maioria das vezes silenciosas e indefesas – de agressões físicas, sexuais e psicológicas de todos os tipos e intensidades. E de outras tantas formas de violência, bem mais sutis, embora não menos perversas, como a desvalorização no mercado de trabalho (recebendo salários sempre menores do que os homens em funções idênticas), as dificuldades de ascensão a postos de comando (nas empresas e na política) e a dupla jornada, entre muitas outras.”
O artigo publicado é de 2005, mas ainda hoje com leis contra o sexismo deparamos com a problemática em vários níveis sociais, independente de poder aquisitivo ou etnia. O preconceito contra as mulheres realmente nasce muitas vezes dentro de casa. E cresce junto com nossas crianças, quando os pequenos chegam à escola recebem tratamento aparentemente igual, mas os resultados apresentados são desiguais. Porque será que isso acontece? É justamente porque passamos por cima das diferenças, como se todos fossem iguais e merecessem tratamentos iguais. Se tratamos igual os diferentes, reproduzimos as diferenças. É preciso tratar de diferentes maneiras os/as estudantes para compensar e equilibrar as diferenças individuais, sociais, culturais. É preciso criar política de equidade que de acordo com os PCNs é "a necessária atenção às diferenças para a real garantia de igualdade de direitos, oportunidades e acesso aos bens sociais, em todos os campos" (BRASIL, 1998, p. 322).
Na escola os corpos "são ensinados, disciplinados, medidos, avaliados, examinados, provados (ou não), categorizados, magoados, coagidos, consentidos..."
(Corrigan in Guacira, p. 14), portanto precisamos mudar essa pedagogia e trabalhar com um currículo multicultural e assegurar o que está na Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.” (artigo I e II, 1948)
Então, homens e mulheres tem direitos iguais perante a sociedade e a liberdade de escolher o que quer, como quer e quando quer. Não podemos permitir que esse preconceito sexista colocado na mídia, nas roupas, nas músicas e em outras múltiplas situações seja vivenciado pelas crianças e adolescente sem darmos uma outra cara, ou seja, mostrar que é uma construção social. A oportunidade para reflexão e a critica as questões de gênero nos livros, músicas e no que está na mídia em geral é uma forma da escola não reproduzir ações discriminatórias, preconceituosas e segregatórios em relação ao gênero e sexualidade. O sexismo corrompe a ética e a moralidade de todos os indivíduos, e constituem elementos desagregadores da sociedade como um todo. Assim, em nossa sociedade, todo e qualquer projeto de fortalecimento dos Direitos Humanos e das leis subseqüentes é bem vindo, pois valorizará a diversidade étnico-racial, cultural, de gênero, de orientação sexual, social e regional.
REFERÊNCIAS
ARAUJO, Washington. Preconceitos Contra Mulheres Nascem Dentro De Casa. Publicado em 3/01/05. Disponível em: http://www.cidadaodomundo.org/?p=289
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Temas Transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998.
DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS. 10 de dezembro de 1948. Disponível em: http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm
DECRETO Nº 6.387, 05/03/ 2008 - II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres - II PNPM. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6387.htm
LOURO, Guacira Lopes. (org.). O Corpo Educado: Pedagogias da Sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2000, 176 p.
UNESCO, Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. 2002.