quarta-feira, 17 de agosto de 2011
EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICO - COOPERATIVA
A educação ambiental defendida por Barbosa e Machado, é baseada numa pedagogia da cooperação a qual tem como fundamento que toda sociedade se ajudem mutuamente para o bem do planeta.
Todo desenvolvimento tecnológico e cientifico aconteceu sem a preocupação com os impactos ambientais. O Planeta é um sistema finito que tem um movimento de retorno, uma reação para cada ação desenvolvida, não é um sistema linear e estático, então precisamos de ações que venham amenizar os problemas ambientais que estamos enfrentando e frear os que poderão ocorrer se não mudarmos a postura frente ao desenvolvimento. A não preocupação do desenvolvimento sustentável trouxe graves problemas de degradação ambiental para toda sociedade. A crise ambiental é nitidamente sentida pela população.
O texto “Coletar e reconhecer o plástico: uma atitude em educação ambiental” de Mattos et al. (2010) é bem instigante, pois fala sobre a importância de mudança de hábitos e atitudes no que se refere ao consumo de produtos descartáveis, bem como sua identificação e separação para posterior reciclagem. Ainda classifica o plástico segundo sua composição e a entender a resistência e os prejuízos causados quando descartado junto a resíduos biologicamente degradáveis.
Para Mattos, “nosso padrão de consumo e de produção resulta numa quantidade cada vez maior de resíduos de toda espécie, o que torna o problema do lixo bastante complexo”. O autor busca definir lixo ou resíduos seguindo parâmetros da ONU (Organização das Nações Unidas) e ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O trabalho foi desenvolvido com alunos do 5º e 6º ano, os quais servirão como disseminadores socializando as questões ambientais para que a comunidade participe ativamente e seja beneficiada.
Diante da importância que é a coleta seletiva de resíduos e programas de reciclagem para a preservação dos recursos naturais entendemos que é na cultura, nas relações, no convívio diário que pode se dá a fomentação de idéias para que possamos ter mudança de atitude, conviver bem sem agredir o meio ambiente e experimentar propostas de organização social que mude a forma como acontece o descarte dos resíduos. “O Círculo de Cultura é um espaço de estabelecimento de relações afetivas, cooperativas e solidárias, com práticas pedagógicas participativas, propositivas e respeitosas, que possibilita o encontro e os confrontos a respeito da construção de saberes e de estratégia de intervenções concretas na realidade”. (HENRIQUES e TORRES, 2009 in BARBOSA e MACHADO 2011, p.17)
Sendo assim é importante focar a necessidade da reciclagem de resíduos, mas é imprescindível que se questione as causas e conseqüências da produção excessiva desses resíduos e da maneira como os mesmos são descartados no ambiente. A escola, os grupos sociais são espaços propícios a promoção de campanhas educativas que podem mobilizar toda comunidade a buscar novas formas de intervir na realidade e refletir sobre o consumismo exagerado que vivenciamos hoje.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Flávio Alves. MACHADO, Vilma de Fátima. Desenvolvimento, meio ambiente e educação ambiental. Módulo IV. Goiânia – GO: UFG. CIAR, CD-ROM, 2011.
MATTOS et al. Coletar e reconhecer o plástico: uma atitude em educação ambiental. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental - REGET-CT/UFSM. 2010. Disponível em:
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Petição Pública Brasil
O site Petição Pública Brasil oferece um serviço público gratuito de Abaixo-Assinados que consiete em fornecer alojamento online gratuito para abaixo-assinados (petições públicas). O mesmo pretende constituir um serviço público de qualidade a todos os cidadãos brasileiros.
O site fornece um dos mais antigos métodos de democracia, combinado com a última e mais moderna tecnologia digital de comunicação, disponível gratuitamente 24 horas por dia.
Não existia, até agora, um site nacional que disponibilizasse um serviço público para o alojamento de abaixo-assinados (também conhecidos como Petição Pública) online. O Petição Pública Brasil pretende constituir um serviço público de qualidade a todos os cidadãos brasileiros. A grande maioria dos sites de abaixo-assinados online são em língua estrangeira e não estão apresentados da melhor forma para a solidificação de uma petição pública nacional.
Fornecemos um dos mais antigos métodos de democracia, combinado com a última e mais moderna tecnologia digital de comunicação, disponível gratuitamente 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano!
O site PeticaoPublica.com.br, fornece alojamento gratuito para abaixo-assinados (também conhecido por petições públicas). Faça hoje mesmo um abaixo-assinado online
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO E PRODUÇÃO DE SENTIDOS
Vivemos em um mundo paradoxal onde a mídia por meio dos veículos de comunicação bombardeiam incessantemente informações diversas em nossos lares.
Mídia são os meios de comunicação que se utilizam dos veículos de comunicação para transmitir os diversos conteúdos. Os veículos de comunicação podem ser variados como: imprensa (revista, jornal, cartaz), eletrônica (TV, radio, cinema, internet) e alternativa (fantasia, atores). A comunicação é transmitida mediaticamente, ou seja, instantaneamente sabemos o que está se passando do outro lado do mundo. Segundo Borges (2011, p.1):
“Para estabelecermos interação social. Utilizamos diversos meios de comunicação, desde o nosso próprio corpo (fala, gestos, expressão); até recursos mais sofisticados como o celular e a Internet. Assim a fala, os gestos, a música, a poesia, as artes, a arquitetura, o jornal, o rádio, a televisão, etc. são meios de comunicação, ou seja, todos os recursos que o ser humano desenvolveu historicamente para mediar a sua interação com o mundo e com o outro”.
Neste sentido a comunicação é um processo de interação da humanidade e não tem como dissociá-la da educação, pois a aprendizagem ocorre por meio da relação comunicacional estabelecido socialmente. Entretanto os conteúdos que nos são transmitidos não são absorvidos de forma passiva, temos o poder de refletir sobre os mesmos e atribuir sentidos diferentes dependendo de nossa vivência sócio-cultural.
A mídia por sua vez transmite diversos programas educativos direcionados as crianças e jovens, mas também transmite todo e qualquer tipo de violência, sem se preocupar com o horário. Desta forma nossas crianças e jovens têm em sua casa essas informações e nós, pais e educadores precisamos estar presente nessa mediação para que os mesmos não sejam influenciados somente por mensagens de violência.
Medeiros (2011) faz uma reflexão sobre o significado da palavra violência. Para ele podemos desencadear um ato de violência quando agredimos outra pessoa fisicamente, por exemplo, quando numa briga damos socos, pontapés, etc. Já o estado de violência apresenta de forma sutil, como os mecanismos ideológicos de controle social.
Michaud (1989, p. 08) apud Medeiros (2011) afirma que “podem haver quase tantas formas de violência quantas forem as espécies de normas.” Por isso é muito difícil definir com precisão o conceito violência.
A agressão pode ser confundida com violência, entretanto, agressão é um impulso natural diante de alguma situação de risco, é uma herança humana, inata ao ser humano. A violência é uma agressão pensada, premeditada, “assim, pode-se afirmar, pois, que toda violência é agressão, mas nem toda agressão é violência”. (Borges, p. 9)
Podemos classificar a violência em racional e irracional. É irracional quando o autor da agressão age instintivamente, por impulso. E racional quando o autor pensa, age com inteligência, é consciente das conseqüências de seus atos.
O que acontece hoje sempre aconteceu, mas a mídia pelos meios de comunicação de massa tenta mostrar que nos dias atuais há mais violência que antigamente. Usam de sensacionalismo para conquistar maior audiência. Porém nós somos sujeitos ativo do processo de comunicação/produção de sentidos, e diante de toda informação que recebemos, seja ela por meio dos veículos de comunicação imprensa, eletrônica ou alternativa usamos um filtro para dar significado a mensagem. Portanto, não podemos impedir que nossos alunos tenham contato com todas essas informações, mas podemos mediá-las, ou seja, mostrar os dois lados.
REFERÊNCIAS
BORGES, Rosana Maria Ribeiro. Comunicação, educação e produção de sentidos. Disponível em: < http://ead.direito.ufg.br/course/view.php?id=227> Acesso em 12 fev 2011.
MEDEIROS, Magno. Cidadania, Mídia e Violência: discutindo a questão na Escola. CIAR UFG, 2011. CD-Rom.
Mídia são os meios de comunicação que se utilizam dos veículos de comunicação para transmitir os diversos conteúdos. Os veículos de comunicação podem ser variados como: imprensa (revista, jornal, cartaz), eletrônica (TV, radio, cinema, internet) e alternativa (fantasia, atores). A comunicação é transmitida mediaticamente, ou seja, instantaneamente sabemos o que está se passando do outro lado do mundo. Segundo Borges (2011, p.1):
“Para estabelecermos interação social. Utilizamos diversos meios de comunicação, desde o nosso próprio corpo (fala, gestos, expressão); até recursos mais sofisticados como o celular e a Internet. Assim a fala, os gestos, a música, a poesia, as artes, a arquitetura, o jornal, o rádio, a televisão, etc. são meios de comunicação, ou seja, todos os recursos que o ser humano desenvolveu historicamente para mediar a sua interação com o mundo e com o outro”.
Neste sentido a comunicação é um processo de interação da humanidade e não tem como dissociá-la da educação, pois a aprendizagem ocorre por meio da relação comunicacional estabelecido socialmente. Entretanto os conteúdos que nos são transmitidos não são absorvidos de forma passiva, temos o poder de refletir sobre os mesmos e atribuir sentidos diferentes dependendo de nossa vivência sócio-cultural.
A mídia por sua vez transmite diversos programas educativos direcionados as crianças e jovens, mas também transmite todo e qualquer tipo de violência, sem se preocupar com o horário. Desta forma nossas crianças e jovens têm em sua casa essas informações e nós, pais e educadores precisamos estar presente nessa mediação para que os mesmos não sejam influenciados somente por mensagens de violência.
Medeiros (2011) faz uma reflexão sobre o significado da palavra violência. Para ele podemos desencadear um ato de violência quando agredimos outra pessoa fisicamente, por exemplo, quando numa briga damos socos, pontapés, etc. Já o estado de violência apresenta de forma sutil, como os mecanismos ideológicos de controle social.
Michaud (1989, p. 08) apud Medeiros (2011) afirma que “podem haver quase tantas formas de violência quantas forem as espécies de normas.” Por isso é muito difícil definir com precisão o conceito violência.
A agressão pode ser confundida com violência, entretanto, agressão é um impulso natural diante de alguma situação de risco, é uma herança humana, inata ao ser humano. A violência é uma agressão pensada, premeditada, “assim, pode-se afirmar, pois, que toda violência é agressão, mas nem toda agressão é violência”. (Borges, p. 9)
Podemos classificar a violência em racional e irracional. É irracional quando o autor da agressão age instintivamente, por impulso. E racional quando o autor pensa, age com inteligência, é consciente das conseqüências de seus atos.
O que acontece hoje sempre aconteceu, mas a mídia pelos meios de comunicação de massa tenta mostrar que nos dias atuais há mais violência que antigamente. Usam de sensacionalismo para conquistar maior audiência. Porém nós somos sujeitos ativo do processo de comunicação/produção de sentidos, e diante de toda informação que recebemos, seja ela por meio dos veículos de comunicação imprensa, eletrônica ou alternativa usamos um filtro para dar significado a mensagem. Portanto, não podemos impedir que nossos alunos tenham contato com todas essas informações, mas podemos mediá-las, ou seja, mostrar os dois lados.
REFERÊNCIAS
BORGES, Rosana Maria Ribeiro. Comunicação, educação e produção de sentidos. Disponível em: < http://ead.direito.ufg.br/course/view.php?id=227> Acesso em 12 fev 2011.
MEDEIROS, Magno. Cidadania, Mídia e Violência: discutindo a questão na Escola. CIAR UFG, 2011. CD-Rom.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
PERCEPÇÃO DE COMPORTAMENTOS, ATITUDES E PRECONCEITOS ETNICORRACIAS
* Márcia de Carvalho
A exclusão dos afro-brasileiros e dos povos indígenas no Brasil tem sido colocada em evidência por diversas análises de natureza sociológica e antropológica. Este texto tem como objetivo analisar alguns fatos em que é possível a percepção de comportamentos, atitudes e preconceitos etnicorracias.
A falsa democracia racial fez com que negros, índios e todos miscigenados fossem desclassificados na sociedade. A negação do preconceito dificulta o desenvolvimento de identidade por parte dos grupos étnicos. No nosso cotidiano é possível ver várias formas de preconceito e discriminação imbuídos em uma máscara chamada democracia racial. Miscigenação étnica e mescla cultural são problemáticas afins, embora não idênticas, que atualmente estão na ordem do dia na historiografia ocidental produzida sobre a colonização ibérica nas Américas. No entanto, é questão que, entre nós, vem de longe, modificando-se ao longo do tempo os termos, a valoração e o sentido das interpretações.
Em primeiro lugar analisaremos um artigo exposto em um blog num site da internet sobre cotas raciais nas universidades:
O blogueiro Leandro Vieira afirma que um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) projeta que no ano de 2010 a quantidade de negros (soma das pessoas que se autodeclaram pretas e pardas) irá superar a de brancos, indigenas e amarelos no país. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE de 1976, a população brasileira era formada por 57,2% de brancos e 40,1% de negros. Trinta anos depois, os negros (soma de pretos e pardos) passaram a representar 49,5% da população, contra 49,7% dos brancos.
Diante dos dados constatamos que os negros estão assumindo sua identidade étnica e se por um lado a população negra está visivilmente crescendo e se autoafirmando, questionamos o sistema de cotas raciais nas universidades.
Partindo do princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei, a política de cota racial além de ser inconstitucional é sem sombra de dúvida discriminatória e um estímulo ao preconceito. Sistemas de cotas não é suficientemente capaz de acabar com as barreiras raciais, acredito que a reserva de vagas faz com que o preconceito aumente e cria uma divisão social entre negros e brancos criando conflitos ainda maoires.
O segundo fato a ser analisado é a propaganda que a rede globo lançou com Tais Araujo. A artista reforça a necessidade de responder corretamente os recenseadores de 2010 quando os mesmos comparecerem em nossas casas. Taís diz: “Eu sou negra, e a cor da minha pele é preta. Quando o senso for até sua casa fale a cor de sua pele, se e branca, parda, amarela ou negra. Não tenha vergonha. Sou negra e a cor da minha nacionalidade é verde e amarelo. O país precisa saber a sua etnia para promover políticas públicas que vão ajudar você”.
No questionário do IBGE a pergunta é clara: Qual e a sua raça? Como se a cor da pele distinguisse a raça. E as possíveis respostas contidas nesse questionário levam os entrevistados a se declaram entre pretos e pardos ou brancos, amarelos e indígenas. Acredito que essa pergunta tem imbuida um certo preconceito, pois segundo estudos a nossa raça é humana, do ponto de vista biológico a cor da pele é uma das caracteristicas dentre tantas que nos difere uns dos outros. Portanto o IBGE poderia ter reformulado melhor a questão para nao constranger os entrevistados.
Na propaganda realizada por Taís fica evidente a luta do negro para que os grupos étnicos se conscientizem de sua identidade étnica e não tenha vergonha de sua cor, seja ela negra, branca, parda ou amarela.
Por último analisaremos uma situação trágica que saiu nos noticiários das emissoras de TV. O fato ocorreu na porta de um banco em São Paulo onde um homem por usar marca-passo foi barrado e levou um tiro. Família diz que foi vitima de racismo: “Como pode um vigilante não deixar um cliente entrar no banco, atirar em um cliente? Se fosse um loiro, podia ter gritado na agência que entrava. Como ele é negro, grande, acharam que era um assaltante”, disse Vanda Soranso, (esposa da vitima).
Neste trágico episódio podemos constatar que a sociedade ainda estratifica as pessoas pela cor de sua pele, subjugando uns em detrimento de outros de acordo com a etnia. A revalorização da questão racial na história da colonização do Brasil é essencial, pois permitirá discutir aspectos importantíssimos da estratificação social e de suas representações nos primeiros séculos de nossa história e promover mudanças na concepção de raça e etnia.
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* Formada em Pedagogia pela UNEMAT (Universidade Federal de Mato Grosso). professora de Educação Infantil e Ensino FundamentalI.
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* Formada em Pedagogia pela UNEMAT (Universidade Federal de Mato Grosso). professora de Educação Infantil e Ensino FundamentalI.
[1] VAINFAS, Ronaldo. Colonização, miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira. AGO–1999
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atitudes e preconceitos etnicorraciais
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
A Indisciplina No Contexto Escolar
INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO – ISEDI
CAMPUS AVANÇADO DE SANTA VITÓRIA – MG
SANTA VITÓRIA, DEZEMBRO DE 2008.
MÁRCIA HELENA IRINEU
TRABALHO: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO III
Trabalho, apresentado à disciplina de História da Educação III, para obtenção de nota, requisitado pela professora e MSc: Maria Aparecida Augusto Satto Vilela, para obtenção de notas.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS – UEMG
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ITUIUTABA – FEIT
INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO – ISEDI
CAMPUS AVANÇADO DE SANTA VITÓRIA – M.G DEZEMBRO DE 2008.
Projeto: A indisciplina no contexto escolar
Tema: Indisciplina A percepção de alunos, professores e diretores sobre a indisciplina escolar.
Palavra-chave: indisciplina, escola e família.
Justificativa:
Sou aluna do 3º ano do curso de Pedagogia, FEIT/UEMG, Campus Avançado de Santa Vitória - MG, que em virtude da grande discussão, tanto em reportagens, em revistas como a Nova Escola e outras, TV, livros e etc., quanto na prática cotidiana, percebi o quanto a questão indisciplina traz complicações na prática educativa e na própria relação aluno-professor. Sou professora de artes no PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), na cidade de Santa Vitória, M. G., portanto, muitas vezes assisto estarrecida, comportamentos agressivos e autoritários, ações de vandalismos, estragam carteiras, cadeiras, vidraças e na maioria das vezes são desrespeitosos para com os que ali prestam serviço, tanto em relação aos professores quanto aos outros funcionários. Assim por ter ligação com questões educacionais, optei por esse tema que faz parte do meu cotidiano profissional, procurando entender, buscando soluções que ajudam amenizar esse problema, pois mesmo não estando lidando com os alunos diretamente na educação escolar, estou quatro horas do dia, lado a lado dos mesmos e sinto que é possível reverter esse quadro que se estaciona em nossas escolas, adentra nossos portões e as nossas salas de aulas com uma velocidade tamanha, que se não houver um freio resistente, num futuro bem próximo, o acidente poderá ser fatal.
Objetivos:
Conhecer e analisar a indisciplina no contexto escolar;
Compreender, por meio de pesquisas, qual é a percepção de docentes (professores e alunos), sobre a indisciplina e suas implicações;
Identificar pontos semelhantes e divergentes de professores e alunos quanto à indisciplina no contexto escolar.
Problema: A percepção dos diretores, docentes e discentes sobre a questão da indisciplina.
Hipótese:
A indisciplina é percebida de maneira diferente pelos alunos e professores; um ato indisciplinar para um professor, pode não ser para outro professor; portanto, a indisciplina escolar pode ser atribuída a fatores externos à escola, outros acham que são fatores que envolvem a conduta do professor, sua prática pedagógica e até mesmo, práticas da própria escola que podem ser excludentes e etc. Entre os alunos a percepção sobre a indisciplina, também é contraditória, pois, a indisciplina escolar não envolve somente características encontradas fora da escola como problemas sociais, sobrevivência precária e baixa qualidade de vida, além de conflitos nas relações familiares, mas aspectos envolvidos e desenvolvidos na escola como a relação professor-aluno; a possibilidade do cotidiano escolar ser permeado por um currículo oculto; entre outros exemplos, recebe sujeitos não homogêneos, provindos de diferentes classes sociais, com diferentes histórias de vida e com uma “bagagem” que, muitas vezes é negada pela escola.
Referencial Teórico: A indisciplina é um tema controverso e demanda de muito conhecimento teórico e prático, no ir a campo e pesquisar. Atualmente, ela é um grande desafio para os educadores, tanto das escolas públicas quanto das escolas particulares. A questão indisciplina escolar, é muito complexa porque as percepções, em relação ao assunto, são muito variadas e atingem um número imenso de indivíduos envolvidos nesse contexto.
Segundo Aquino (1996. p. 98), a tarefa de educar, não é responsabilidade da escola, é tarefa da família, que ao docente cabe repassar seus conhecimentos acumulados, ele ainda aponta que a solução pode estar na forma da relação entre professor e aluno, ou seja, a forma que suas relações e vínculos se estabelecem, aponta também que a solução pode estar no desenvolvimento do resgate da moralidade discente através da relação com o conhecimento e que esse conhecimento deve ser construído socialmente, sem rigidez ou autoridade.
Piaget (1973) defende que temos duas alternativas: “formar personalidades livres ou conformistas”. Se o objetivo da educação for o de formar indivíduos autônomos e cooperativos, então é necessário propiciar para que ele se desenvolva em um ambiente de cooperação. A escola é um ambiente socializador e esta é, a importância de se ter claro sua parcela de contribuição na formação moral de seus alunos. O professor, no caso, tem a função de colaborar para que isso efetive. Deve propiciar experiências entre pares com bases na cooperação, construindo um ambiente com regras coerentes e justas. Também, deve se questionar sobre a coerência das regras da própria escola.
Para Fleuri (1997), os salários baixos e as péssimas condições de trabalho além de dificultar, desvalorizam a ação educativa dos profissionais que atuam na educação. É gigantesco o processo de evasão escolar e o caráter autoritário da escola denigre sua função educativa e social. Esses sistemas de conflitos e problemas são muito mais profundos, a escola que deveria promover a apropriação de um saber elaborado, criativo, crítico e solidário, capacitando as pessoas para o desenvolvimento das diferentes culturas, confere certificados e diplomas a funcionários burocráticos com aptidão apenas para reproduzir as relações exploradoras e de dominação.
Entretanto, para Vasconcelos (1997. p. 227ª 252), as questões indisciplinares têm ocupado um espaço cada vez maior no cotidiano escolar no país e a grande insatisfação decorrente dessas questões tem constituído em causa de abandono e de doenças, principalmente nervosas, do quadro do magistério. As reclamações dos professores, atualmente partindo até mesmo dos professores da pré-escola, é uma tendência que ainda não é generalizada, porém é preocupante e merece nossa reflexão e discussão, uma vez que é causa de repetência, evasão escolar e também constitui conseqüência de fracasso do planejamento inicial do professor e da escola, o que serve para reforçar a necessidade de aprofundar nessas questões; portanto, torna mais relevante a proposta desta pesquisa.
A pratica educativa segundo Paulo Freire (1996, pág. 46), deve desenvolver: um caráter formador, propiciar relações, treinar a experiência do ser social que pensa, se comunica, que tem sonhos que tem raiva e que ama. Baseado nessa filosofia, o educando deve dar a devida importância à parte social do aluno, porque é nela que ele vive sua realidade dia-a-dia, é nela que ele desenvolve seus instintos e é a partir dela que a indisciplina poder desabrochar. O educador democrático não pode esquecer que ensinar não é transferir conhecimentos, mas sim, criar possibilidades de construção, pois o aluno é ser humano inacabado, ele nunca deve transformar a autoridade em autoritarismo. Portanto o aluno precisa de estímulo para desenvolver sua transformação num ambiente de liberdade.
Metodologia: Realizei por meio de entrevistas, em três escolas municipais: Escola Municipal Geraldo Ribeiro, Grupo Escolar São José e Colégio Estadual José Franco de Gouveia, um levantamento sobre a ocorrência da indisciplina nessas instituições, de forma, a saber, se a escola tem de educar e disciplinar os alunos; se o objetivo da educação é formar indivíduos autônomos, qual é o papel da escola; o que deveria ser feito para diminuir a indisciplina; qual é o papel do professor; se as péssimas condições de trabalho e o salário baixo do docente influência na relação professor e aluno e o que deveria ser feito para acabar com a indisciplina.Num total de oito educadores, uma supervisora e uma diretora, participaram da pesquisa, nas escolas mencionadas.
Resultados alcançados:
Numa porcentagem de 100% dos docentes entrevistados, 50% responderam em forma de questionário e os demais responderam a entrevista oralmente.
Nas respostas obtidas, 30% dos entrevistados, levantaram a hipótese de que o aluno quando castigado por uma travessura, uma discussão com o colega ou uma nota baixa, passa a ter o sentimento de mágoa e aversão, para com os que o castigaram e isso vai aumentando ao ponto de que esse aluno se torne violento, passando a ter um reflexo explosivo, no que segundo eles, isso acontece por falta de diálogo entre professores, pais e alunos, porque os pais e professores devem colaborar para que o entusiasmo desse aluno e sua auto-estima se eleve, eles devem ter muito carinho e muita paciência, criando assim um ambiente propício para que ele sinta prazer no seu aprendizado.
Já 25% acreditam que quando a família, o professor e a sociedade, são rígidos e violentos, as crianças e os adolescentes também vão copiá-los, para esses, o aluno que fica quieto como se estivesse parafusado na carteira, com certeza está doente, segundo eles, o professor que sonha com esse aluno, não escolheu a profissão certa, porque esse não é um sonho pedagógico, que o professor é um formador de opiniões e não um dominador.
Os 45% restantes, acreditam que a indisciplina tem início em casa, porque quando o ser humano se apresenta agressivo, ansioso, violento e angustiado é resultado de problemas e segundo eles, tudo isso pode ser resultado de castigos severos como também pode ser causadas pelo desajuste familiar, como desemprego na família, que acarreta brigas e discussões, pais alcoólatras, drogados, pais que espancam a mãe, é o que causa a maioria dos problemas de indisciplina de muitos alunos.
Considerações Finais:
Mesmo que a indisciplina seja vista de maneira diferenciada pelos professores, a falta de diálogo entre professores e alunos, inibe a formação de vínculos entre eles e isso dificulta o repasse do aprendizado. O entusiasmo e a motivação são sinônimos interligados ao relacionamento de docentes e discentes. Os conflitos existentes, decorrentes das diversas classes sociais, condicionam à indisciplina, pois cada um trás uma bagagem que não é aceita pela escola ou nem se quer é discutida por ela. A escola tem a função de facilitar o processo de socialização do indivíduo e para cumprir com essa função numa sociedade democrática a escola tem que educar para o exercício da democracia. Não há como ensinar crianças e adolescentes a exercer a democracia em um processo de ensino-aprendizagem autoritário, em uma vivência autoritária. Nas entrevistas, pude perceber que os professores, estão despreparados, desorientados e desmotivados nessa questão de indisciplina, sentem-se perdidos, inseguros até nas próprias respostas, como se não soubessem qual passo devem dar, como se não soubessem como explicar a origem da indisciplina dos seus próprios alunos e nem se mostraram preocupados com a existência dela em suas escolas. Para eles, ela existe, causa problema, dificulta o andamento do aprendizado, mas não mostraram interessados em saná-la.
Segundo Fleri (2008), os salários baixos, as péssimas condições de trabalho, dificultam a motivação dos educadores. Conforme ele, a escola deveria valorizar a ação dos professores, capacitando-os para que desenvolvam a heterogeneidade das culturas e assim excluir o sistema de dominação autoritária que existe na maioria das escolas brasileiras. Entretanto Piaget (1996) levanta a questão da formação do indivíduo, se eles estão na escola para se formarem livres ou conformistas, pois o que a educação objetiva é formar indivíduos autônomos e cooperativos, a escola é quem deve criar um ambiente de cooperação e socializador, ao professor cabe o dever de colaborar e construir um ambiente com regras coerentes.
Paulo Freire, em seu livro, Pedagogia da Autonomia, também fala do caráter, das relações, da experiência social, da comunicação, dos sonhos, da raiva e do amor, que devem ser desenvolvidos junto a prática educativa, acredita que o educador deve conhecer o dia-a-dia do aluno, porque, segundo ele, é nessa realidade que o aluno desenvolve seus instintos e desabrocha a indisciplina. Para Freire, ensinar não é transferência de conhecimentos e sim, “é construção”. O educador não pode esquecer que o aluno é um ser humano inacabado, e só a partir dessa visão que ele irá entender que o aluno precisa se desenvolver num ambiente de liberdade. Portanto a minha conclusão é de que os educadores precisam olhar para fora da janela, esquecer um pouco do giz e livros e se mostrarem mais humanos, precisa procurar dentro de si mesmos e buscar respostas como se fossem para si próprios, a forma que gostariam de estudar, de que maneira gostariam de participar, pois a maioria das respostas da pesquisa foi descartar sua própria culpa no desenvolvimento da indisciplina na escola.
Referências Bibliográficas: FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia, 33ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996;
FLEURI, R.M. (1997). Educar para quê? São Paulo: ed. Cortez;
VASCONCELOS, Celso dos S. Os desafios da Indisciplina em sala de aula e na escola. Publicação: Série Idéias n.28. São Paulo: FDE, 1997;
AQUINO, Julio Gropa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas. 9ª ed. São Paulo: Summus, 1996; Piaget, J. Estudos Sociológicos. Rio de Janeiro: ed. Forense, 1973;
http://www.artigonal.com/educacao-artigos/a-indisciplina-no-contexto-escolar-1100296.html
Perfil do Autor
CAMPUS AVANÇADO DE SANTA VITÓRIA – MG
SANTA VITÓRIA, DEZEMBRO DE 2008.
MÁRCIA HELENA IRINEU
TRABALHO: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO III
Trabalho, apresentado à disciplina de História da Educação III, para obtenção de nota, requisitado pela professora e MSc: Maria Aparecida Augusto Satto Vilela, para obtenção de notas.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS – UEMG
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ITUIUTABA – FEIT
INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO – ISEDI
CAMPUS AVANÇADO DE SANTA VITÓRIA – M.G DEZEMBRO DE 2008.
Projeto: A indisciplina no contexto escolar
Tema: Indisciplina A percepção de alunos, professores e diretores sobre a indisciplina escolar.
Palavra-chave: indisciplina, escola e família.
Justificativa:
Sou aluna do 3º ano do curso de Pedagogia, FEIT/UEMG, Campus Avançado de Santa Vitória - MG, que em virtude da grande discussão, tanto em reportagens, em revistas como a Nova Escola e outras, TV, livros e etc., quanto na prática cotidiana, percebi o quanto a questão indisciplina traz complicações na prática educativa e na própria relação aluno-professor. Sou professora de artes no PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), na cidade de Santa Vitória, M. G., portanto, muitas vezes assisto estarrecida, comportamentos agressivos e autoritários, ações de vandalismos, estragam carteiras, cadeiras, vidraças e na maioria das vezes são desrespeitosos para com os que ali prestam serviço, tanto em relação aos professores quanto aos outros funcionários. Assim por ter ligação com questões educacionais, optei por esse tema que faz parte do meu cotidiano profissional, procurando entender, buscando soluções que ajudam amenizar esse problema, pois mesmo não estando lidando com os alunos diretamente na educação escolar, estou quatro horas do dia, lado a lado dos mesmos e sinto que é possível reverter esse quadro que se estaciona em nossas escolas, adentra nossos portões e as nossas salas de aulas com uma velocidade tamanha, que se não houver um freio resistente, num futuro bem próximo, o acidente poderá ser fatal.
Objetivos:
Conhecer e analisar a indisciplina no contexto escolar;
Compreender, por meio de pesquisas, qual é a percepção de docentes (professores e alunos), sobre a indisciplina e suas implicações;
Identificar pontos semelhantes e divergentes de professores e alunos quanto à indisciplina no contexto escolar.
Problema: A percepção dos diretores, docentes e discentes sobre a questão da indisciplina.
Hipótese:
A indisciplina é percebida de maneira diferente pelos alunos e professores; um ato indisciplinar para um professor, pode não ser para outro professor; portanto, a indisciplina escolar pode ser atribuída a fatores externos à escola, outros acham que são fatores que envolvem a conduta do professor, sua prática pedagógica e até mesmo, práticas da própria escola que podem ser excludentes e etc. Entre os alunos a percepção sobre a indisciplina, também é contraditória, pois, a indisciplina escolar não envolve somente características encontradas fora da escola como problemas sociais, sobrevivência precária e baixa qualidade de vida, além de conflitos nas relações familiares, mas aspectos envolvidos e desenvolvidos na escola como a relação professor-aluno; a possibilidade do cotidiano escolar ser permeado por um currículo oculto; entre outros exemplos, recebe sujeitos não homogêneos, provindos de diferentes classes sociais, com diferentes histórias de vida e com uma “bagagem” que, muitas vezes é negada pela escola.
Referencial Teórico: A indisciplina é um tema controverso e demanda de muito conhecimento teórico e prático, no ir a campo e pesquisar. Atualmente, ela é um grande desafio para os educadores, tanto das escolas públicas quanto das escolas particulares. A questão indisciplina escolar, é muito complexa porque as percepções, em relação ao assunto, são muito variadas e atingem um número imenso de indivíduos envolvidos nesse contexto.
Segundo Aquino (1996. p. 98), a tarefa de educar, não é responsabilidade da escola, é tarefa da família, que ao docente cabe repassar seus conhecimentos acumulados, ele ainda aponta que a solução pode estar na forma da relação entre professor e aluno, ou seja, a forma que suas relações e vínculos se estabelecem, aponta também que a solução pode estar no desenvolvimento do resgate da moralidade discente através da relação com o conhecimento e que esse conhecimento deve ser construído socialmente, sem rigidez ou autoridade.
Piaget (1973) defende que temos duas alternativas: “formar personalidades livres ou conformistas”. Se o objetivo da educação for o de formar indivíduos autônomos e cooperativos, então é necessário propiciar para que ele se desenvolva em um ambiente de cooperação. A escola é um ambiente socializador e esta é, a importância de se ter claro sua parcela de contribuição na formação moral de seus alunos. O professor, no caso, tem a função de colaborar para que isso efetive. Deve propiciar experiências entre pares com bases na cooperação, construindo um ambiente com regras coerentes e justas. Também, deve se questionar sobre a coerência das regras da própria escola.
Para Fleuri (1997), os salários baixos e as péssimas condições de trabalho além de dificultar, desvalorizam a ação educativa dos profissionais que atuam na educação. É gigantesco o processo de evasão escolar e o caráter autoritário da escola denigre sua função educativa e social. Esses sistemas de conflitos e problemas são muito mais profundos, a escola que deveria promover a apropriação de um saber elaborado, criativo, crítico e solidário, capacitando as pessoas para o desenvolvimento das diferentes culturas, confere certificados e diplomas a funcionários burocráticos com aptidão apenas para reproduzir as relações exploradoras e de dominação.
Entretanto, para Vasconcelos (1997. p. 227ª 252), as questões indisciplinares têm ocupado um espaço cada vez maior no cotidiano escolar no país e a grande insatisfação decorrente dessas questões tem constituído em causa de abandono e de doenças, principalmente nervosas, do quadro do magistério. As reclamações dos professores, atualmente partindo até mesmo dos professores da pré-escola, é uma tendência que ainda não é generalizada, porém é preocupante e merece nossa reflexão e discussão, uma vez que é causa de repetência, evasão escolar e também constitui conseqüência de fracasso do planejamento inicial do professor e da escola, o que serve para reforçar a necessidade de aprofundar nessas questões; portanto, torna mais relevante a proposta desta pesquisa.
A pratica educativa segundo Paulo Freire (1996, pág. 46), deve desenvolver: um caráter formador, propiciar relações, treinar a experiência do ser social que pensa, se comunica, que tem sonhos que tem raiva e que ama. Baseado nessa filosofia, o educando deve dar a devida importância à parte social do aluno, porque é nela que ele vive sua realidade dia-a-dia, é nela que ele desenvolve seus instintos e é a partir dela que a indisciplina poder desabrochar. O educador democrático não pode esquecer que ensinar não é transferir conhecimentos, mas sim, criar possibilidades de construção, pois o aluno é ser humano inacabado, ele nunca deve transformar a autoridade em autoritarismo. Portanto o aluno precisa de estímulo para desenvolver sua transformação num ambiente de liberdade.
Metodologia: Realizei por meio de entrevistas, em três escolas municipais: Escola Municipal Geraldo Ribeiro, Grupo Escolar São José e Colégio Estadual José Franco de Gouveia, um levantamento sobre a ocorrência da indisciplina nessas instituições, de forma, a saber, se a escola tem de educar e disciplinar os alunos; se o objetivo da educação é formar indivíduos autônomos, qual é o papel da escola; o que deveria ser feito para diminuir a indisciplina; qual é o papel do professor; se as péssimas condições de trabalho e o salário baixo do docente influência na relação professor e aluno e o que deveria ser feito para acabar com a indisciplina.Num total de oito educadores, uma supervisora e uma diretora, participaram da pesquisa, nas escolas mencionadas.
Resultados alcançados:
Numa porcentagem de 100% dos docentes entrevistados, 50% responderam em forma de questionário e os demais responderam a entrevista oralmente.
Nas respostas obtidas, 30% dos entrevistados, levantaram a hipótese de que o aluno quando castigado por uma travessura, uma discussão com o colega ou uma nota baixa, passa a ter o sentimento de mágoa e aversão, para com os que o castigaram e isso vai aumentando ao ponto de que esse aluno se torne violento, passando a ter um reflexo explosivo, no que segundo eles, isso acontece por falta de diálogo entre professores, pais e alunos, porque os pais e professores devem colaborar para que o entusiasmo desse aluno e sua auto-estima se eleve, eles devem ter muito carinho e muita paciência, criando assim um ambiente propício para que ele sinta prazer no seu aprendizado.
Já 25% acreditam que quando a família, o professor e a sociedade, são rígidos e violentos, as crianças e os adolescentes também vão copiá-los, para esses, o aluno que fica quieto como se estivesse parafusado na carteira, com certeza está doente, segundo eles, o professor que sonha com esse aluno, não escolheu a profissão certa, porque esse não é um sonho pedagógico, que o professor é um formador de opiniões e não um dominador.
Os 45% restantes, acreditam que a indisciplina tem início em casa, porque quando o ser humano se apresenta agressivo, ansioso, violento e angustiado é resultado de problemas e segundo eles, tudo isso pode ser resultado de castigos severos como também pode ser causadas pelo desajuste familiar, como desemprego na família, que acarreta brigas e discussões, pais alcoólatras, drogados, pais que espancam a mãe, é o que causa a maioria dos problemas de indisciplina de muitos alunos.
Considerações Finais:
Mesmo que a indisciplina seja vista de maneira diferenciada pelos professores, a falta de diálogo entre professores e alunos, inibe a formação de vínculos entre eles e isso dificulta o repasse do aprendizado. O entusiasmo e a motivação são sinônimos interligados ao relacionamento de docentes e discentes. Os conflitos existentes, decorrentes das diversas classes sociais, condicionam à indisciplina, pois cada um trás uma bagagem que não é aceita pela escola ou nem se quer é discutida por ela. A escola tem a função de facilitar o processo de socialização do indivíduo e para cumprir com essa função numa sociedade democrática a escola tem que educar para o exercício da democracia. Não há como ensinar crianças e adolescentes a exercer a democracia em um processo de ensino-aprendizagem autoritário, em uma vivência autoritária. Nas entrevistas, pude perceber que os professores, estão despreparados, desorientados e desmotivados nessa questão de indisciplina, sentem-se perdidos, inseguros até nas próprias respostas, como se não soubessem qual passo devem dar, como se não soubessem como explicar a origem da indisciplina dos seus próprios alunos e nem se mostraram preocupados com a existência dela em suas escolas. Para eles, ela existe, causa problema, dificulta o andamento do aprendizado, mas não mostraram interessados em saná-la.
Segundo Fleri (2008), os salários baixos, as péssimas condições de trabalho, dificultam a motivação dos educadores. Conforme ele, a escola deveria valorizar a ação dos professores, capacitando-os para que desenvolvam a heterogeneidade das culturas e assim excluir o sistema de dominação autoritária que existe na maioria das escolas brasileiras. Entretanto Piaget (1996) levanta a questão da formação do indivíduo, se eles estão na escola para se formarem livres ou conformistas, pois o que a educação objetiva é formar indivíduos autônomos e cooperativos, a escola é quem deve criar um ambiente de cooperação e socializador, ao professor cabe o dever de colaborar e construir um ambiente com regras coerentes.
Paulo Freire, em seu livro, Pedagogia da Autonomia, também fala do caráter, das relações, da experiência social, da comunicação, dos sonhos, da raiva e do amor, que devem ser desenvolvidos junto a prática educativa, acredita que o educador deve conhecer o dia-a-dia do aluno, porque, segundo ele, é nessa realidade que o aluno desenvolve seus instintos e desabrocha a indisciplina. Para Freire, ensinar não é transferência de conhecimentos e sim, “é construção”. O educador não pode esquecer que o aluno é um ser humano inacabado, e só a partir dessa visão que ele irá entender que o aluno precisa se desenvolver num ambiente de liberdade. Portanto a minha conclusão é de que os educadores precisam olhar para fora da janela, esquecer um pouco do giz e livros e se mostrarem mais humanos, precisa procurar dentro de si mesmos e buscar respostas como se fossem para si próprios, a forma que gostariam de estudar, de que maneira gostariam de participar, pois a maioria das respostas da pesquisa foi descartar sua própria culpa no desenvolvimento da indisciplina na escola.
Referências Bibliográficas: FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia, 33ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996;
FLEURI, R.M. (1997). Educar para quê? São Paulo: ed. Cortez;
VASCONCELOS, Celso dos S. Os desafios da Indisciplina em sala de aula e na escola. Publicação: Série Idéias n.28. São Paulo: FDE, 1997;
AQUINO, Julio Gropa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas. 9ª ed. São Paulo: Summus, 1996; Piaget, J. Estudos Sociológicos. Rio de Janeiro: ed. Forense, 1973;
http://www.artigonal.com/educacao-artigos/a-indisciplina-no-contexto-escolar-1100296.html
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