quarta-feira, 13 de abril de 2011

PERCEPÇÃO DE COMPORTAMENTOS, ATITUDES E PRECONCEITOS ETNICORRACIAS


* Márcia de Carvalho

A exclusão dos afro-brasileiros e dos povos indígenas no Brasil tem sido colocada em evidência por diversas análises de natureza sociológica e antropológica. Este texto tem como objetivo analisar alguns fatos em que é possível a percepção de comportamentos, atitudes e preconceitos etnicorracias.
A falsa democracia racial fez com que negros, índios e todos miscigenados fossem desclassificados na sociedade. A negação do preconceito dificulta o desenvolvimento de identidade por parte dos grupos étnicos. No nosso cotidiano é possível ver várias formas de preconceito e discriminação imbuídos em uma máscara chamada democracia racial. Miscigenação étnica e mescla cultural são problemáticas afins, embora não idênticas, que atualmente estão na ordem do dia na historiografia ocidental produzida sobre a colonização ibérica nas Américas. No entanto, é questão que, entre nós, vem de longe, modificando-se ao longo do tempo os termos, a valoração e o sentido das interpretações.
Em primeiro lugar analisaremos um artigo exposto em um blog num site da internet sobre cotas raciais nas universidades:
O blogueiro Leandro Vieira afirma que um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) projeta que no ano de 2010 a quantidade de negros (soma das pessoas que se autodeclaram pretas e pardas) irá superar a de brancos, indigenas e amarelos no país. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE de 1976, a população brasileira era formada por 57,2% de brancos e 40,1% de negros. Trinta anos depois, os negros (soma de pretos e pardos) passaram a representar 49,5% da população, contra 49,7% dos brancos.
Diante dos dados constatamos que os negros estão assumindo sua identidade étnica e se por um lado a população negra está visivilmente crescendo e se autoafirmando, questionamos o sistema de cotas raciais nas universidades.
Partindo do princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei, a política de cota racial além de ser inconstitucional é sem sombra de dúvida discriminatória e um estímulo ao preconceito. Sistemas de cotas não é suficientemente capaz de acabar com as barreiras raciais, acredito que a reserva de vagas faz com que o preconceito aumente e cria uma divisão social entre negros e brancos criando conflitos ainda maoires.
O segundo fato a ser analisado é a propaganda que a rede globo lançou com Tais Araujo. A artista reforça a necessidade de responder corretamente os recenseadores de 2010 quando os mesmos comparecerem em nossas casas. Taís diz: “Eu sou negra, e a cor da minha pele é preta. Quando o senso for até sua casa fale a cor de sua pele, se e branca, parda, amarela ou negra. Não tenha vergonha. Sou negra e a cor da minha nacionalidade é verde e amarelo. O país precisa saber a sua etnia para promover políticas públicas que vão ajudar você”.
No questionário do IBGE a pergunta é clara: Qual e a sua raça? Como se a cor da pele distinguisse a raça. E as possíveis respostas contidas nesse questionário levam os entrevistados a se declaram entre pretos e pardos ou brancos, amarelos e indígenas. Acredito que essa pergunta tem imbuida um certo preconceito, pois segundo estudos a nossa raça é humana, do ponto de vista biológico a cor da pele é uma das caracteristicas dentre tantas que nos difere uns dos outros. Portanto o IBGE poderia ter reformulado melhor a questão para nao constranger os entrevistados.
Na propaganda realizada por Taís fica evidente a luta do negro para que os grupos étnicos se conscientizem de sua identidade étnica e não tenha vergonha de sua cor, seja ela negra, branca, parda ou amarela.
Por último analisaremos uma situação trágica que saiu nos noticiários das emissoras de TV. O fato ocorreu na porta de um banco em São Paulo onde um homem por usar marca-passo foi barrado e levou um tiro. Família diz que foi vitima de racismo: “Como pode um vigilante não deixar um cliente entrar no banco, atirar em um cliente? Se fosse um loiro, podia ter gritado na agência que entrava. Como ele é negro, grande, acharam que era um assaltante”, disse Vanda Soranso, (esposa da vitima).
Neste trágico episódio podemos constatar que a sociedade ainda estratifica as pessoas pela cor de sua pele, subjugando uns em detrimento de outros de acordo com a etnia. A revalorização da questão racial na história da colonização do Brasil é essencial, pois permitirá discutir aspectos importantíssimos da estratificação social e de suas representações nos primeiros séculos de nossa história e promover mudanças na concepção de raça e etnia.

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* Formada em Pedagogia pela UNEMAT (Universidade Federal de Mato Grosso). professora de Educação Infantil e Ensino FundamentalI.
[1] VAINFAS, Ronaldo. Colonização, miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira. AGO–1999





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