quarta-feira, 20 de abril de 2011

COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO E PRODUÇÃO DE SENTIDOS

Vivemos em um mundo paradoxal onde a mídia por meio dos veículos de comunicação bombardeiam incessantemente informações diversas em nossos lares.
Mídia são os meios de comunicação que se utilizam dos veículos de comunicação para transmitir os diversos conteúdos. Os veículos de comunicação podem ser variados como: imprensa (revista, jornal, cartaz), eletrônica (TV, radio, cinema, internet) e alternativa (fantasia, atores). A comunicação é transmitida mediaticamente, ou seja, instantaneamente sabemos o que está se passando do outro lado do mundo. Segundo Borges (2011, p.1):

“Para estabelecermos interação social. Utilizamos diversos meios de comunicação, desde o nosso próprio corpo (fala, gestos, expressão); até recursos mais sofisticados como o celular e a Internet. Assim a fala, os gestos, a música, a poesia, as artes, a arquitetura, o jornal, o rádio, a televisão, etc. são meios de comunicação, ou seja, todos os recursos que o ser humano desenvolveu historicamente para mediar a sua interação com o mundo e com o outro”.

 Neste sentido a comunicação é um processo de interação da humanidade e não tem como dissociá-la da educação, pois a aprendizagem ocorre por meio da relação comunicacional estabelecido socialmente. Entretanto os conteúdos que nos são transmitidos não são absorvidos de forma passiva, temos o poder de refletir sobre os mesmos e atribuir sentidos diferentes dependendo de nossa vivência sócio-cultural.
A mídia por sua vez transmite diversos programas educativos direcionados as crianças e jovens, mas também transmite todo e qualquer tipo de violência, sem se preocupar com o horário. Desta forma nossas crianças e jovens têm em sua casa essas informações e nós, pais e educadores precisamos estar presente nessa mediação para que os mesmos não sejam influenciados somente por mensagens de violência.
Medeiros (2011) faz uma reflexão sobre o significado da palavra violência. Para ele podemos desencadear um ato de violência quando agredimos outra pessoa fisicamente, por exemplo, quando numa briga damos socos, pontapés, etc. Já o estado de violência apresenta de forma sutil, como os mecanismos ideológicos de controle social.
Michaud (1989, p. 08) apud Medeiros (2011) afirma que “podem haver quase tantas formas de violência quantas forem as espécies de normas.” Por isso é muito difícil definir com precisão o conceito violência.
A agressão pode ser confundida com violência, entretanto, agressão é um impulso natural diante de alguma situação de risco, é uma herança humana, inata ao ser humano. A violência é uma agressão pensada, premeditada, “assim, pode-se afirmar, pois, que toda violência é agressão, mas nem toda agressão é violência”. (Borges, p. 9)
Podemos classificar a violência em racional e irracional. É irracional quando o autor da agressão age instintivamente, por impulso. E racional quando o autor pensa, age com inteligência, é consciente das conseqüências de seus atos.
O que acontece hoje sempre aconteceu, mas a mídia pelos meios de comunicação de massa tenta mostrar que nos dias atuais há mais violência que antigamente. Usam de sensacionalismo para conquistar maior audiência. Porém nós somos sujeitos ativo do processo de comunicação/produção de sentidos, e diante de toda informação que recebemos, seja ela por meio dos veículos de comunicação imprensa, eletrônica ou alternativa usamos um filtro para dar significado a mensagem. Portanto, não podemos impedir que nossos alunos tenham contato com todas essas informações, mas podemos mediá-las, ou seja, mostrar os dois lados.
REFERÊNCIAS
BORGES, Rosana Maria Ribeiro. Comunicação, educação e produção de sentidos. Disponível em: < http://ead.direito.ufg.br/course/view.php?id=227> Acesso em 12 fev 2011.


MEDEIROS, Magno. Cidadania, Mídia e Violência: discutindo a questão na Escola. CIAR UFG, 2011. CD-Rom.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

PERCEPÇÃO DE COMPORTAMENTOS, ATITUDES E PRECONCEITOS ETNICORRACIAS


* Márcia de Carvalho

A exclusão dos afro-brasileiros e dos povos indígenas no Brasil tem sido colocada em evidência por diversas análises de natureza sociológica e antropológica. Este texto tem como objetivo analisar alguns fatos em que é possível a percepção de comportamentos, atitudes e preconceitos etnicorracias.
A falsa democracia racial fez com que negros, índios e todos miscigenados fossem desclassificados na sociedade. A negação do preconceito dificulta o desenvolvimento de identidade por parte dos grupos étnicos. No nosso cotidiano é possível ver várias formas de preconceito e discriminação imbuídos em uma máscara chamada democracia racial. Miscigenação étnica e mescla cultural são problemáticas afins, embora não idênticas, que atualmente estão na ordem do dia na historiografia ocidental produzida sobre a colonização ibérica nas Américas. No entanto, é questão que, entre nós, vem de longe, modificando-se ao longo do tempo os termos, a valoração e o sentido das interpretações.
Em primeiro lugar analisaremos um artigo exposto em um blog num site da internet sobre cotas raciais nas universidades:
O blogueiro Leandro Vieira afirma que um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) projeta que no ano de 2010 a quantidade de negros (soma das pessoas que se autodeclaram pretas e pardas) irá superar a de brancos, indigenas e amarelos no país. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE de 1976, a população brasileira era formada por 57,2% de brancos e 40,1% de negros. Trinta anos depois, os negros (soma de pretos e pardos) passaram a representar 49,5% da população, contra 49,7% dos brancos.
Diante dos dados constatamos que os negros estão assumindo sua identidade étnica e se por um lado a população negra está visivilmente crescendo e se autoafirmando, questionamos o sistema de cotas raciais nas universidades.
Partindo do princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei, a política de cota racial além de ser inconstitucional é sem sombra de dúvida discriminatória e um estímulo ao preconceito. Sistemas de cotas não é suficientemente capaz de acabar com as barreiras raciais, acredito que a reserva de vagas faz com que o preconceito aumente e cria uma divisão social entre negros e brancos criando conflitos ainda maoires.
O segundo fato a ser analisado é a propaganda que a rede globo lançou com Tais Araujo. A artista reforça a necessidade de responder corretamente os recenseadores de 2010 quando os mesmos comparecerem em nossas casas. Taís diz: “Eu sou negra, e a cor da minha pele é preta. Quando o senso for até sua casa fale a cor de sua pele, se e branca, parda, amarela ou negra. Não tenha vergonha. Sou negra e a cor da minha nacionalidade é verde e amarelo. O país precisa saber a sua etnia para promover políticas públicas que vão ajudar você”.
No questionário do IBGE a pergunta é clara: Qual e a sua raça? Como se a cor da pele distinguisse a raça. E as possíveis respostas contidas nesse questionário levam os entrevistados a se declaram entre pretos e pardos ou brancos, amarelos e indígenas. Acredito que essa pergunta tem imbuida um certo preconceito, pois segundo estudos a nossa raça é humana, do ponto de vista biológico a cor da pele é uma das caracteristicas dentre tantas que nos difere uns dos outros. Portanto o IBGE poderia ter reformulado melhor a questão para nao constranger os entrevistados.
Na propaganda realizada por Taís fica evidente a luta do negro para que os grupos étnicos se conscientizem de sua identidade étnica e não tenha vergonha de sua cor, seja ela negra, branca, parda ou amarela.
Por último analisaremos uma situação trágica que saiu nos noticiários das emissoras de TV. O fato ocorreu na porta de um banco em São Paulo onde um homem por usar marca-passo foi barrado e levou um tiro. Família diz que foi vitima de racismo: “Como pode um vigilante não deixar um cliente entrar no banco, atirar em um cliente? Se fosse um loiro, podia ter gritado na agência que entrava. Como ele é negro, grande, acharam que era um assaltante”, disse Vanda Soranso, (esposa da vitima).
Neste trágico episódio podemos constatar que a sociedade ainda estratifica as pessoas pela cor de sua pele, subjugando uns em detrimento de outros de acordo com a etnia. A revalorização da questão racial na história da colonização do Brasil é essencial, pois permitirá discutir aspectos importantíssimos da estratificação social e de suas representações nos primeiros séculos de nossa história e promover mudanças na concepção de raça e etnia.

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* Formada em Pedagogia pela UNEMAT (Universidade Federal de Mato Grosso). professora de Educação Infantil e Ensino FundamentalI.
[1] VAINFAS, Ronaldo. Colonização, miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira. AGO–1999